Quebrando os paradigmas do apagão de talentos.

15/08/2012 16:07

O grande questionamento dos profissionais brasileiros é o porque que as empresas

 
Apagão de talentos é um termo recente que vem sendo utilizado para descrever a falta de mão de obra qualificada em quantidade suficiente para atender a demanda de produtos e serviços globais que o Brasil vem recebendo. Alguns autores chegam a afirmar que a falta de mão de obra qualificada está presente em todos os setores da economia, atingindo áreas como: Áreas administrativas que requerem inglês fluente, consultores SAP que possuam inglês fluente, profissionais de TI, contadores, tributaristas, engenheiros, médicos, entre outras. Podemos citar várias áreas que estão passando por dificuldades em contratar ou até mesmo manter um quadro de funcionários qualificados e habilitados de forma que possa responder aos estímulos do mercado. No entanto existem áreas que estão super aquecidas e que não possuem pessoas em quantidade suficiente para atender a uma demanda tão grande, algumas dessas áreas são os setores da construção civil, petróleo e gás, e energia. O apagão de mão de obra é um fenômeno que não está sendo causado único e exclusivamente pelo aumento significativo de investimentos que o país vem recebendo nos últimos anos, existem outros muitos fatores que contribuíram para que isso acontecesse.

 

Com o apoio do Serviço Brasileiro de apoio às Micros e Pequenas Empresas (SEBRAE), houve um aumento significativo da taxa de empreendedorismo por oportunidade no Brasil, e com o aumento de pessoas habilitadas que abrem os seus próprios negócios, teremos menos pessoas em idade economicamente ativa e com um nível de conhecimento diferenciado para disponibilizar no mercado. Outros exemplos poderiam ser o constante avanço da tecnologia que no dia seguinte torna o que aprendemos no dia anterior obsoleto, a falha de planejamento das empresas para manter um quadro de funcionários qualificados, habilitados, treinados e motivados para atender as novidades de um mundo em constante mudança, e a falta de investimento em educação básica por parte do governo brasileiro.

Quem criou o termo apagão de talentos foram as famosas empresas de consultoria em RH que ao realizar pesquisas com suas empresas clientes identificaram uma grande dificuldade de essas empresas contratarem pessoas qualificadas. A grande problemática que essas empresas apresentam é que para contratar uma pessoa qualificada no Brasil hoje custa muito caro. Pois os melhores profissionais das áreas a que se destinam as vagas já estão trabalhando, e em sua maioria não pretendem abandonar o seu emprego atual por um salário equiparado ao que recebem atualmente. Isso se torna mais difícil a cada dia que passa, pois as empresas que possuem esse tipo de funcionário estão investindo forte para tentar segurá-los o maior espaço de tempo possível. A cada 10 executivos que recebem uma proposta para deixar a empresa que trabalha para iniciar uma nova jornada em outra organização, 4 se recusam a sair. Isso não quer dizer que os profissionais estão ficando mais fiéis as organizações, isso quer dizer que essas organizações não estão tomando conhecimento do termo apagão de talentos. Elas simplesmente aprenderam que reter um talento se torna muito mais cômodo e muito mais barato do que contratar um.

Existe uma falta de mão de obra qualificada no país como afirma as consultorias em recursos humanos, no entanto existem controvérsias a respeito de que essa falta de mão de obra seja em todos os setores da economia como algumas delas afirmam. Há setores que realmente enfrentam uma escassez de mão de obra, mas sempre haverá pessoas bem preparadas fora do mercado com capacidade para atender a demanda de produtos e serviços. O Brasil tem a fama de ser o país dos maus salários. Segundo Sérgio Mendonça, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 90% das vagas criadas atualmente no Brasil pagam até dois salários mínimos, Ou seja, as empresas brasileiras querem contratar Batman com salário de Robin, estão procurando qualidades de um profissional de país de primeiro mundo em um país emergente.

O grande questionamento dos profissionais brasileiros é o porquê que as empresas estão cada vez mais exigentes no momento da contratação. Eles estão se perguntando o porquê que a pleno emprego, com o mercado de trabalho brasileiro atingindo o menor nível de desemprego de todos os tempos está tão difícil de conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho. Sabemos que isso é reflexo do aumento significativo dos investimentos que o país vem recebendo nos últimos tempos e uma exigência das empresas internacionais que estão se instalando no Brasil e até mesmo de algumas empresas nacionais que estão procurando atender alguns padrões de qualidade mundial.

Muitas das empresas brasileiras sofrem de um mal organizacional. Mal esse que podemos conceituar como: Imediatismo empresarial. Algumas dessas empresas buscam por funcionários que tragam resultados imediatos, que tragam resultados nos primeiros dias de trabalho e que cheguem à empresa atingindo metas e solucionando problemas. O problema se concentra quando essa expectativa não é atingida, o profissional torna-se descartável independente dos fatores e/ou motivos que influenciaram para o seu baixo rendimento a curtíssimo prazo. O modelo de profissional perfeito ainda não foi criado, entretanto as pessoas precisam entender que o que deve existir é uma perfeita adequação do seu perfil profissional com as diversas vagas disponíveis no mercado, o que proporcionará um maior nível de empregabilidade para seus currículos.

Por outro lado algumas empresas devem observar que o nível de exigências que elas estão aplicando está afastando, tanto os profissionais que possuem o perfil ideal para a vaga, quanto os profissionais que não possuem esse tipo de perfil. Pois o primeiro recebe propostas de várias empresas simultaneamente sempre que está disponível no mercado, quando está trabalhando ou quando está em busca de recolocação profissional, o que permite que as empresas que oferecem os melhores pacotes de benefícios fiquem com o tão sonhado profissional. Já o segundo por não possuir todas as características que o perfil da vaga exige é descartado logo no processo de seleção. Esse quadro evidencia bem o porquê que existe essa escassez de mão de obra em diversas áreas, pois contratar um profissional com o perfil que muitas empresas estão exigindo custa caro e muitas empresas não estão dispostas ou não possuem condições de arcar com custos tão altos para se ter um profissional de alto nível em sua organização, como os seus objetivos são de contratar pessoas que tragam resultados imediatos descartam os que não possuem todas as qualificações. A consequência disso é a ploriferação do termo apagão de talentos.

 

Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/quebrando-os-paradigmas-do-apagao-de-talentos/65096/